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Dentre os jogadores mais assíduos das peladas iniciais (em campinhos improvisados na Rua Sete de Setembro e no Alto do São Francisco, ambos no Centro da cidade de Vitória), dois viviam entre o Rio de Janeiro e Vitória pelo fato de estudarem na primeira cidade, e tiveram participação decisiva na fundação do Vitória, que acabou sendo a primeira agremiação de futebol do Estado. Eles vinham passar as férias estudantis no Espírito Santo, e conversavam demoradamente com o restante da turma das partidas, falando sobretudo do Fluminense, na época considerado como um padrão de organização. Como na década de 10 era considerado coisa de elite ser jogador do Flu, Jair Tovar e Nelson Monteiro, os dois estudantes capixabas, conseguiam ampla audiência. E as suas conversas sempre terminavam enfocando a necessidade que havia de se fundar um clube como o carioca. O assunto evoluiu de tal maneira, que um belo dia decidiu-se realmente criar a agremiação e iniciar, na Capital capixaba, a prática organizada do futebol. Tudo foi previsto. Como a data seria solene, pensou-se num certo formalismo cercando o fato. Marcou-se uma reunião para um sobrado existente na rua São Francisco, esquina com a Ladeira do Carmo, pertencente à viúva Constança Espíndula, mãe de Constâncio e Taciano Espíndula, dois cobras das peladas da rua Sete e fundadores do novo clube. Desta reunião participaram, dentre outros, João Pereira Neto, João Nascimento, Armando Ayres, Graciano e Edgar dos Santos Neves, Edgard e Pedro O’Reilly de Souza, além, é claro, dos donos da casa (casa que, por sinal, não existe mais). João Pereira Neto foi escolhido presidente dos trabalhos e, logo de início, concordou em que seria fundado um clube de futebol. Faltava o nome. A discussão em torno desse nome não durou muito. Logo alguém sugeriu que o clube tivesse o nome da cidade-sede e, em pouco tempo, estava criado o Foot-ball Club Victoria. A primeira diretoria foi também logo escolhida: presidente, João Pereira Neto; tesoureiros, João Nascimento e Névio Costa; diretor de esportes, Edgard O’Reilly de Souza. Em seguida, os homens reunidos no sobrado redigiram a ata de fundação, e todos a assinaram. Este documento foi posteriormente perdido. Deste período de início de atividades ficou apenas a documentação que se seguiu, justamente a inscrição dos primeiros sócios fundadores, e que foram Oscar Guimarães, Sílvio Veredino de Aguiar, Benvindo de Novais, Mário Espíndula e Sidney Pereira de Souza. Os dirigentes do primeiro clube de futebol do Estado haviam, entretanto, esquecido um ponto muito importante na reunião: ele ainda não tinha cores oficiais. Armando Ayres, que era saldanhista, chegou a pedir que fossem adotados o vermelho e o branco, mas, como na diretoria havia torcedores do Álvares, a proposta terminou derrotada. A que prevaleceu foi outra, determinando o azul e o branco. O azul, diziam os dirigentes, iria representar o céu de Vitória. O futebol capixaba nascia oficialmente nesta reunião. Daí para a frente surgiriam os outros clubes. Os jovens reunidos no sobrado da rua São Francisco no dia 1º de outubro de 1912 não poderiam imaginar que, naquele dia, estavam organizando o esporte mais popular do Brasil no Espírito Santo. O ex-presidente do Vitória, Odilon Santos, contou certa vez que uma das primeiras providências adotadas pelos fundadores do clube, ainda em 1912, foi mandar comprar na Inglaterra uma bola de futebol de couro com costuras (custou 5.000 réis) para os jogadores utilizarem. Na época, era comum jogar até mesmo com as hoje ainda usadas bolas de meia. Inicialmente o clube não tinha sede. Amparou-se em Antenor Guimarães, que cedia um galpão de sua propriedade para os jogadores se reunirem. No mais, tudo se decidia em conversas na rua ou durante os jogos, sempre disputados em terrenos ou na praia. Campo de futebol, só mesmo quando o Moscoso Futebol Clube (já extinto) fez o primeiro, ao lado da igreja de Jucutuquara. Como o Vitória não tinha sede nem patrimônio algum, todos os seus pertences eram guardados de favor nas casas dos dirigentes ou dos jogadores (inicialmente, todos amadores). Nas residências particulares ficavam jogos de camisa, bolas, material de treinamento, documentos e tudo o mais que o clube necessitava e tinha. Isso durou até 1951, quando o presidente Arnaldo Andrade comprou de Hugo Viola uma área onde hoje se localiza o Estádio Engenheiro Araripe, em Cariacica. A área, toda formada por alagados, foi adquirida por 80 contos, pagáveis à ordem de dez contos por mês. Como não havia dinheiro para mandar aterrar o local, o terreno jamais foi usado pelo Vitória. O clube, anos depois, terminou se desfazendo dele. Posteriormente, os dirigentes adquiriram um terreno onde depois chegou a estar a loja Empório Capixaba. Esse terreno foi tomado pelo Governo sob promessa de, posteriormente, ceder outro. Isso efetivamente foi feito. O Vitória recebeu, em doação por escritura pública, a área ocupada até hoje em Bento Ferreira. Mas somente em 1962 o Estádio Salvador Venâncio da Costa começaria a ser construído. Isso, depois que os torcedores Ailson Lima Cabral e Aprígio Vieira Gomes conseguiram que uma draga a serviço de aterro nas proximidades despejasse sobre o terreno a areia que possibilitou torná-la utilizável. O presidente Salvador Venâncio da Costa lançou mão de todos os recursos possíveis para levantar o estádio. O clube usou carnês, rifas e vendeu títulos, mas mesmo esses esforços resultaram insuficientes. A obra foi terminada, mas Salvador Costa sofreu um abalo financeiro dos mais sérios. O Vitória chegou a registrar, ao longo de sua vida, um fato hoje lamentado por todos os dirigentes. Quando o Brasil se uniu aos aliados, passando a lutar na II Guerra Mundial, foi feita a Campanha do Metal porque o país precisava de recursos para enfrentar o conflito. Os dirigentes terminaram doando, em uma das campanhas, nada menos que todos os troféus ganhos pelo clube até então. Peças valiosas, praticamente o passado inteiro do Vitória foi entregue para que o metal, derretido nos fornos, virasse bocas de canhões. No basquete, que hoje não pratica mais, conseguiu o feito de ser campeão oito vezes (o início da série deu-se em 1935) e, ainda, a chegar a um vice-campeonato nacional. A quadra de basquete do clube ficava no centro da cidade. Fonte: SILVA, Álvaro José. Clubes de Futebol. Coleção Esporte Memória, n. 03. Vitória: PMV/Secretaria de Esportes, 1988. 38p. il. Publicado originalmente em www.vitoriablog.com
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meu sonho e ser jogando de futebol na minha cidade nao tenhei time nao eu jogo de atacaque meus colega me chama de menino dos gols bonito me da ser chaxe ai ok eu tenho 19 anos me liga por favor 0313333151857 eu moro em minas gerais